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domingo, 19 de maio de 2013

Gafanhoto

Gafanhoto
Nery Reiner

Gafanhoto verdinho
Vai de mansinho
Pelo caminho
Procura ervinha
Encontra joaninha
Lindinha, lisinha
De asas certinhas
Gafanhoto e joaninha
Vão de mansinho
Pelo caminho
Como rei e rainha
Um galho e uma florzinha.

Fonte:
Do livro: Passa, passa, passarinho
Nery Reiner
Vale Livros

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Casas


João-de-barro

Casas

Alguns bichos têm casa
muito interessantes.
Formigas, abelhas
podem dar ao homem
lições de arquitetura.

E com finura
a aranha tece sua teia,
o marimbondo constrói sua casa,
o bicho-da-seda o seu casulo.

Mas sou apaixonada mesmo
é pela casa redonda
do joão-de-barro.

Talvez porque sempre
quisesse morar em árvore,
morar assim pendurada.

Lá dentro da casa,
o joão-de-barro e sua namorada
fazem planos para o futuro.

Daqui de fora eu escuto:
ti ti ti ti ti ti ti ti

Casas, de Roseana Murray
Editora Formato



sexta-feira, 19 de abril de 2013

Devagar, que tenho pressa (poesia)

Devagar, que tenho pressa
Augusto César Ferreira Gil


Veio um lesmo d'Amarante,
Para casar em Lisboa
Com uma lesma galante,
Muito rica e muito boa.

E veio do seu vagar,
Com toda a comodidade,
A fazer e a recitar
Baladas, odes, sonetos...

Quando chegou à cidade,
A noiva... já tinha netos!


Augusto Gil é um dos maiores poetas portugueses do século 20. Nasceu em 1873 e morreu em 1929. 

Fonte:
Revista Ciência Hoje das Crianças
Nº 83 - Agosto de 1998 - contra capa

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Poesia: As Formigas

As Formigas
Olavo Bilac

Cautelosas e prudentes,
O caminho atravessando,
As formigas diligentes
Vão andando, vão andando...

Marcham em filas cerradas;
Não se separam; espiam
De um lado e de outro, assustadas,
E das pedras se desviam.

Entre calhaus vão abrindo
Caminho estreito e seguro,
Aqui, ladeiras subindo,
Acolá, galgando um muro.

Esta carrega a migalha;
Outra, com passo discreto,
Leva um pedaço de palha;
Outra, uma pata de inseto.

Carrega cada formiga
Aquilo que achou na estrada;
E nenhuma se fatiga,
Nenhuma para cansada...

Também quando chega o frio,
E todo o fruto consome,
A formiga, que no estio
Trabalha, não sofre fome...
(...)

Fonte: 
Revista Ciência Hoje das Crianças (contra capa)
Ano 25, Nº 232 - Março de 2012

sábado, 5 de março de 2011

Poesia: O Íbis

O Íbis
Fernando Pessoa

O Íbis, ave do Egito,
Pousa sempre sobre um pé
(O que é esquisito).
É uma ave sossegada
Porque assim não anda nada.
Uma cegonha parece
Porque é uma cegonha.
Sonha
E esquece  __
Propriedade notável
De toda ave aviável.
Quando vejo esta Lisboa,
Digo sempre, Ah quem me dera
(E essa era
Boa)
Ser um íbis esquisito,
Ou p'lo menos 'star no Egito.

Fonte:
Página virtual da Casa de Fernado Pessoa
Acesso em  05/03/2011

quarta-feira, 5 de maio de 2010

No terceiro ato

No terceiro ato
Bartolomeu Campos de Queirós

O rato vê o pato no teto
e vê o gato no rio.

Leva um susto
cai o R.

O gato
come o R do rato
e vira grato.

O pato
come o R do rato
e vira prato.

O rato
sem R vira ato.

O pato prato vê o rato sem R
leva um susto,
cai o P
e vira rato.

O gato grato vê o rato sem R,
leva um susto,
cai o G
e vira rato.

Bartolomeu Campos de Queirós nasceu no ano de 1944, em Minas Gerais, onde mora até hoje. É autor premiado de peças de teatro, poemas e literatura infanto-juvenil. Trecho retirado do livro História em três atos, publicado pela Global Editora.

Fonte:
Revista Ciência Hoje das Crianças
Nº 206, de outubro de 2009.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Cerrado é milagre

O cerrado é milagre

Nikolas Behr

o cerrado é milagre, como toda a vida
(é também pedaço do planeta que desaparece)
abraço meu irmão pequizeiro
ando de mãos dadas com as sucupiras
os jatobás sorriem
as perobas não dizem nada, apenas sentem
minhas amigas abelhas são filhas das flores

agora prepare seu coração:
correntão vai passar e levar tudo
ninho de passarinho rasteiro também
depois do correntão brotou o que tinha que brotar
mas já era tarde – faca fina do arado
cortou a raiz pela raiz
e aí não brotou mais nada
aliás brotou coisa melhor: soja, verdinha, verdinha
que beleza diziam

olhe bem os cerrados da próxima vez
rasteje por entre capins e cupins
e sinta o cheiro do anoitecer

antes de terminar pergunto: quem vai pagar
a conta de tamanha destruição?
- “tudo bem, daqui a cem anos estaremos todos mortos”
disse alguém
certo. estaremos todos mortos mas nossos netos não

o cerrado é milagre minha gente.


Fonte:http://www.editorasaraiva.com.br/edig/cerrado/texto_apoio_02.htmlAcesso em: 24/11/09. Texto selecionado por Marcelo Bizerril, para o livro Vivendo no Cerrado e aprendendo com ele.

sábado, 10 de outubro de 2009

Seriema: poesia

Seriema, a princesa do Cerrado
Composição: Josué Faustino


De manhã, todos os dias
Nasce o sol lindo e dourado
Com seus raios cor de ouro,
Projeta lindos bordados
Nas palmas dos Buritis,
Pelos córregos do Cerrado
Dando vida a este poema
Se escuta da Seriema, o lindo canto afinado!

Seriema, teu canto,
É lindo demais!!
Sentimento profundo, lembrança, saudades
Teu canto me trás
Seriema, teu canto, é lindo demais!
Me faz tão feliz!
Recordando momentos
Inesquecíveis que não voltam mais

Tardezinha, quando o sol,
Se esconde atrás da serra,
Aparece o véu da noite,
Para escurecer a terra!
E a Princesa do Cerrado,
Com seu canto encantador
Abre o bico, ergue a cabeça,
Num ritual de louvor
Agradece a Natureza com seu canto
Sua Alteza, agradece ao Criador.


Fonte:
http://letras.terra.com.br/fruto-do-cerrado/1454991/
Acesso em 10/10/09

domingo, 27 de setembro de 2009

Poema: Porquinho da Índia


Porquinho-da-Índia

Poema de Manuel Bandeira

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração eu tinha
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos, mais limpinhos,
Ele não se importava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
- O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.

Fonte: http://www.lainsignia.org/2005/enero/cul_027.htm Acesso em: 27/09/09

Veja logo abaixo um vídeo meu:



É um animalzinho muito dócil que encanta adultos e crianças. Aí no vídeo, a mãe e uma filhotinha que nasceu hoje (27/09/09).

Veja também matéria sobre o porquinho da Índia como animal de estimação, clicando em: http://capi2.blogspot.com/2006/10/porquinhos-da-ndia-animal-de-estimao.html

terça-feira, 14 de julho de 2009

Segredos do Cerrado

Leia abaixo a letra de uma música que fala sobre a riqueza do Cerrado:

Segredos do Cerrado

Eu nasci lá no cerrado
No cerrado me criei
Vendo planta, ouvindo bicho
Entendendo a sua lei
Amolando a minha enxada
Minha roça eu plantei

Pisei em cabeça de frade
Muito espinho eu entortei
Acordei um catingueiro
Na sombra do pequizeiro
Mais que ele eu assustei

Cerco o fogo com acero
Da mamona tiro azeite
Pra acender meu candeeiro
Armadilha na florada
Marimbondo e abelha
Caindo na teia da aranha rajada

Se planto minha roça
Longe da palhoça
Gasto tempo à toa
Capivara gosta
De comer minha roça
Esconder na lagoa [...]

Ararinha canta na serra
Faz seu ninho na barranca
Urutau canta medonho
Quem não conhece espanta

Buriti nasce na água
Na vereda solitário
Do seu fruto eu faço doce
E guardo na sua palha
Jataí é inofensiva
Mas seu mel é decisivo
Pra curar minha garganta [...]

Meu carro de boi
Quando roda calado
Põe azeite no cocão
Quando roda pesado
Ele canta afinado
No tom desta canção [...]

Fonte:
Segredos do cerrado. Cantigas da sombra e da claridade (CD), de Sons do Cerrado, UCG/ITS.
IN: Geografia de Goiás. Ivanilton José de Oliveira e Tadeu Alencar Arrais. Editora Scipione, São Paulo: 2009.

domingo, 5 de julho de 2009

Sobre a ema


Você sabia?

"...que duas ou mais emas [...] botam os ovos em um único ninho? O homem do campo, muito observador, fez até uma quadrinha:


__Vou lhe fazer uma pergunta
Seu cabeça de urupema
Quero que você me diga
Quantos ovos põe a ema?

__Quantos ovos põe a ema?
A ema nunca põe só;
Põe a mãe e põe a filha
Põe a neta e põe a avó.

Assim que terminam de botar, saem de fininho e deixam o macho chocando a ninhada, que tem, às vezes mais de 40 ovos.

A ema deixa alguns ovos fora do ninho para apodrecer. Os ovos podres atraem muitas moscas, que servem de alimento para os filhotes quando nascem.”

Fonte: A vida no cerrado. Roberto Antonelli Filho. São Paulo: FTD, 1997 ( Coleção Tropical)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Cerrado

Poema de Nicolas Beher

Nem tudo
que é torto
é errado

Veja as pernas
do Garrincha
e as árvores
do Cerrado.


Fonte:
Vivendo no Cerrado e Aprendendo com ele
Marcelo Bizerril
Editora Saraiva. São Paulo, 2004

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Coruja

Corujice
Elias José


A cara coruja
não encara
a cara do Sol,
mas à noite
fica bem na sua
cara a cara
com a lua.


Elias José. Boneco maluco e outras brincadeiras. Porto Alegre, Projeto, 1999.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Quero-quero (poesia)

Q é para quero-quero
Sérgio Capparelli

Um quero-quero chegou
Com flores numa sombrinha:
_ Nono andar, por favor.
_ Só térreo, dona Florzinha,
Pois esse é um descedor.
Sérgio Capparelli é mineiro, nascido na cidade de Uberlândia. Hoje, vive em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. É professor universitário, tradutor e escritor premiado na área de literatura infantil. O poema Q é para quero-quero foi retirado de seu livro Tigres no quintal, da Global Editora (quarta edição).

Fonte: Revista Ciência Hoje das Crianças Nº 197, de dezembro de 2008

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Tartarugas

Tartarugas
José de Castro*

1. Casa de tartaruga
não se vende
e nem se aluga

2. Tartaruga
vive no banho
e nunca se enxuga.

3. Tartaruga
dorme tarde
e cedo madruga?

4. A velha tartaruga
coça com prazer
sua mais nova verruga.

5. Tartaruga,
pra livrar o casco,
inventa rotas de fuga.

6. Óleo de tartaruga
rejuvenesce
e desenruga?

7. Tartaruga
mesmo nova,
é cheia de ruga!!!

*José de Castro, nasceu em Resplendor - Minas Gerais. Viajou pelo Centro-Oeste, pelo Sudeste e depois foi para o Nordeste, onde "descobriu em Natal, a beleza das dunas e o gosto do sal do mar". Lá, resolveu fazer poemas e inventar versos.
O poema acima foi retirado da página 20, do livro
Poemares , escrito por José de Castro e publicado pela Editora Dimensão, Belo Horizonte, 2007.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

A Cigarra

A Cigarra
Maria Augusta de Medeiros

Até parece mentira,
Mas com a tarde acabando,
A gente fica escutando
Uma Cigarra Caipira.

Primeiro afina a viola.
Depois, minha Virgem Santa,
Tanto tempo toca e canta
Que o dedo todo se esfola.

Se algum barulho atrapalha,
Ela se cala e suspira,
E assim que ele se retira,
A cantoria se espalha.
(...)
Tocando moda ligeira,
A turma fica animada,
Dançando tão assanhada,
Que esquece toda a canseira.
(...)
Quem nunca ouviu se consola
Dizendo ser de mentira
Essa Cigarra Caipira
Que canta e toca viola.
(...)

"Maria Augusta de Medeiros nasceu em São Paulo, em 1949. É formada em Artes Plásticas, mas também gosta muito de escrever. A Cigarra foi retirada de O Quintal de São Francisco, seu primeiro livro para crianças, publicado pela Editora Paulinas."

Fonte: Revista Ciência Hoje das Crianças, nº 188, de Março de 2008.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O passarinho e o espantalho

O Passarinho e o Espantalho
Marciano Vasques


Quando se aninha
num coração de palha
um passarinho,
o seu canto se espalha aquecido,
e o espantalho,
com a alma repleta de vôos,
desperta querendo gorjear.

Espigas o sáudam.
Amarelos brincam ao redor
do seu vulto esfarrapado.

Campos acordam em festa
com o orvalho anunciando
que o dia está sorrindo.

Quando o Sol se espreguiça
e o passarinho vai embora,
o espantalho se entristece com o ninho vazio
no peito, mas o dia gorjeia em seu lugar.


"Espantalhos são grandes bonecos de palha que os camponeses acreditam - quando colocados nas plantações - espantar pássaros. Este poema é de Marciano Vasques - professor e escritor paulista nascido em 26 de agosto de 1952 - e foi retirado do Livro Espantalhos, publicado pela Editora Noovha América."

Fonte:Revista Ciência Hoje das Crianças n° 189, de Abril de 2008.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

As Formigas

As Formigas
Olavo Bilac
Cautelosas e prudentes,
O caminho atravessando,
As formigas diligentes
Vão andando, vão andando...
Marcham em filas cerradas;
Não se separam; espiam
De um lado e de outro, assustadas,
E das pedras se desviam.
(...)
Esta carrega a migalha;
Outra, com passo discreto,
Leva um pedaço de palha;
Outra, uma pata de inseto.
Carrega cada formiga
Aquilo que achou na estrada;
E nenhuma se fatiga,
Nenhuma pára cansada.
(...)
"Olavo Bilac, um dos mais notáveis poetas brasileiros, nasceu em 1865, no Rio de Janeiro, e morreu em 1918, na mesma cidade. Formou-se em Direito, mas obteve reconhecimento maior como escritor e poeta, sendo um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. O poema As Formiguinhas faz parte do livro Poesias Infantis, Editora Francisco Alves."
Fonte : Revista Ciência Hoje das Crianças nº 181, de julho de 2007

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Tucano

Tucano
Libério Neves



O tucano tem um bico
que não bica
big bico de enfeite.


O tucano de perfil
tem no bico
esse ar de respeito.


O tucano tem no bico
esse ritmo
esse jeito perfeito.

"Libério Neves nasceu em Goiás, em 1934. Formou-se em Direito e escreveu livros para adultos e crianças. Este poema foi retirado do livro "Voa, palavra", publicado pela Editora Formato. Nele, o autor faz rimas inspirado nas aves."

Fonte: Revista Ciência Hoje das Crianças nº 177, de Março de 2007.


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